“Os Vingadores” em análise

Depois da primeira edição de “Os Vingadores” em 1978, um filme para televisão, chegou a vez de Joss Whedon trazer ao cinema um misto de personagens heróicas dos livros aos quadradinhos, trabalho este que podemos apelidar à partida como extraordinariamente soberbo.

Os tempos mudaram e revolucionaram a qualidade cinematográfica, não fosse a abordagem dos anos setenta baseada num conjunto de personagens com fatos e capacidades especiais pouco trabalhados.O ênfase estético trazido por tecnologias dos tempos modernos a estas personagens memoráveis, ajudou na concretização e percepção da obra como peça relativa a momentos de fantasia e super ação. Porém, a tecnologia nos Vingadores será apontada como uma atração secundária, não fosse o trabalho de Whedon notável ao ponto de o colocar como foco principal.Apesar de ter sido considerada uma escolha de risco a atribuição do papel de realizador a Joss Whedon para a concretização deste filme de super heróis, a verdade é que a escolha não podia ter sido melhor! O realizador das conhecidas séries Buffy – Caçadora de Vampiros e Angel, superou todas as expectativas ao não fazer desta obra cinematográfica um par de horas repletas de efeitos especiais, sem qualquer conteúdo.

E com tantos super heróis quem diria que todos conseguiriam ser o centro das atenções? Fantásticos à sua maneira, e por mil motivos diferentes, os seis personagens que perfazem o grupo dos Vingadores têm, neste filme, direito ao seu momento de brilharete conjunto e não só! Não há um vingador com maior relevância. Todos têm a sua importância na trama, um momento para a sua história, o seu espaço, o seu minuto de glória.

Também argumentista na sua própria realização, Whedon conseguiu o incrível: criar um elo de ligação entre todas as personagens com base nas suas histórias passadas.

Entre Robert Downey Jr. no papel do “génio, bilionário, playboy e filantropo” Homem de Ferro, Dr. Bruce Banner e os seus conflitos existênciais relativamente ao controlo de raiva que o tornam num monstro gigante verde, a sensualidade e fragilidade de Scarllet Johansson no papel da espiã russa Natasha Romanoff (mais conhecida por Viúva Negra), a inumana visão do Gavião Arqueiro ou a força da natureza que Thor trás aliada ao seu martelo, infinitos momentos de puro entretenimento passam neste grande ecrã.

Mais cómico do que muitos filmes de comédia, tendo em conta que é um filme de ação e super heróis, nos Vingadores são alguns desses momentos de risadas que acompanham as citações mais ouvidas pelo público à saída de uma sala de cinema.

E se duvidas em que formato queres ver este filme, a NGEpt aconselha-te o 3D! Apesar da intensidade não ser idêntica à de Avatar, neste filme encontrarás momentos em que a profundidade se revela, através da tecnologia 3D, especialmente em duas cenas em que são utilizados espelhos para observar a ação decorrente.

Este é mais um exemplo que compensa ver uma obra neste formato desde que assim seja filmada e não convertida.

Toda a realização foi um risco, desde que o filme foi anunciado, uma vez que a mistura de tantas personagens resultaria obrigatoriamente numa avaliação extrema: ou a união perfeita ou o insucesso total.

Samuel L. Jackson sobressai em relação aos outros filmes da Marvel em que participou também. Interpretando Nick Fury, Jackson assume um papel de liderança, como diretor da S.H.I.E.L.D., sem qualquer poder sobrenatural tendo, no entanto, o controlo dos poderosíssimos heróis que compõem o grupo dos Vingadores.

Um ator cuja participação é absolutamente louvável é Mark Ruffalo, no papel de Dr. Bruce Banner/Hulk. O monstro verde raivoso foi interpretado por diferentes atores, nos filmes da personagem, e arriscamos em dizer que nenhum deles atingiu a dimensão que Mark Ruffalo conseguiu nos Vingadores.

Jeremy Renner, o ágil Hawkeye, cuja interpretação é surreal nos momentos que surge na obra, será o protagonista da saga Bourne que estreia ainda este ano. Nos Vingadores, o estilo desta personagem é inconfundível e torna-se uma das características principais do mesmo.

Ton Hiddleston interpreta o maquiavélico e temido Loki como inimigo nesta obra, personagem desafiadora e sem escrúpulos que adora audiência e o poder supremo. É, sem dúvida, uma das melhores interpretações da trama uma vez que a sua maldade é representada através de sorrisos maléficos em momentos oportunos. Entre estes Vingadores o que se espera do vilão? Este teria que representar alguém que impusesse medo/respeito de alguma forma, a mais comum é a força, e o ator escolhido consegue isso na perfeição, porém, através da inteligência e manipulação.

Uma delícia de fantasia cujo resultado junto do público é, nada mais nada menos, do que a vontade de regressar para a cadeira de cinema e ver o filme pela segunda vez.

Em suma, desde a admirável introdução que explora a razão pelo qual Os Vingadores se juntarão, podes contar com sequências de ação muito bem trabalhadas, criaturas malvadas a quem a dor não oferece medo e um elenco de sucesso na interpretação destes surreais super heróis cujas histórias nos acompanham há décadas. A realização apesar de arriscada foi uma excelente aposta, cujo orçamento rondou os 300 milhões de dólares. Os defeitos dos nossos Vingadores são ultrapassados em prol da vingança do Planeta Azul, fazendo com que esta obra seja, de longe, o melhor filme da MARVEL.

É caso para dizer a Michael Bay, realizador de Transformers, para ter em consideração Os Vingadores na sua próxima produção de modo a entender que não é só de efeitos especiais e explosões que se faz um sucesso cinematógráfico.

A NGEpt apela a todos os seus utilizadores que vejam Os Vingadores que permaneçam na sala de cinema após o final do filme para assistir a uma surpresa que trás consigo o cheiro de uma futura sequela.

“A Mulher de Negro” em análise

Um dos filmes mais aguardados do ano acabou de estrear e a NGEpt já teve oportunidade de presenciar as cenas mais assustadoras.

A obra de 1983 de Susan Hill foi um autêntico sucesso e já teve várias adaptações para televisão, teatro e rádio. Desta vez no mundo mágico do cinema com James Watkins (Eden Lake) como realizador, Jane Goldman (Kick-Ass, X-Men: o Ínicio) como argumentista e Daniel Radcliffe como protagonista, A Mulher de Negro é um dos filmes do género mais esperados de 2012.

À primeira vista, Radcliffe apresenta-se com uma missão difícil: libertar-se da personagem Harry Potter, que o fez extremamente famoso desde os seus doze anos, a quem todos o associam. Para apimentar ainda mais este desafio, Radcliffe sugere um aspeto físico muito jovem para alimentar um personagem adulta, pai de uma criança de quatro anos e viúvo após a sua bela mulher ter dado à luz.

Radcliffe interpreta Arthur Kipps, um jovem advogado que procura resolver os seus problemas financeiros aproveitando a última oportunidade de emprego que lhe é oferecida: resolver questões relativas à herança de uma falecida mulher que vivia numa mansão de uma aldeia remota. O que Kipps não sabe é que a mansão esconde segredos mais assustadores do que o monte de papelada que foi incubido de analisar.

Apesar de ser um filme de terror, as cenas desta produção cinematográfica manifestam-se através de sustos psicológicos constantes em vez dos habituais físicos – como gritos ou suspiros. O que realmente nos assusta é o facto de que algo pode acontecer a qualquer momento, porém, sem chegarmos a saber qual ao certo e isto acontece sempre que Kipps se encontra dentro da mansão (que desde já é fulcral dizer que foi bem concebida). A porta principal escura  é capaz de assustar até o mais corajoso dos vendedores! O corredor do andar superior torna-se mais angustiante do que um labiririnto ao longo do filme.

Embora a pouca luz e muitos ruídos façam as delícias do filme, um dos aspectos que poderia ter sido mais mencionado e aproveitado para aumentar o horror decorrido em noventa e cinco minutos e tornado a mansão mais assutadora é o longo caminho que nos leva da aldeia á mansão. Todos os dias quando a maré sobe, este caminho é inundando tornando impossivel a qualquer entrada ou saída da ilha, o que espelha um verdadeiro terror.

Para todos os efeitos, Arthur Kipps é o centro de todas as filmagens focando as suas acções, comportamentos e reacções. Com isto podemos ver um Radcliffe mais adulto e que mostrou que consegue adaptar-se a papéis diversos e não apenas o do feiticeiro de Hogwarts.

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O filme, em que as crianças da aldeia começam a morrer subitamente formando um mistério no enredo, conta também com as prestações de Ciaran Hinds e Janet Mcteer (nomeada deste ano para o óscar de melhor actriz no filme Albert Noobs).

A título de curiosidade acrescentamos que o filho de Arthur Kipps (Joseph) é interpretado por Misha Handley,  afilhado de Daniel RadCliffe e Adrian Rawlins que desempenhou o papel do pai de Radcliffe na saga Harry Potter (James Potter) interpretou o papel de Arthur no filme adaptado à televisão de 1989.O final é subjetivo, um pouco previsível talvez, mas não desilude. Juntem-se os fãs de misteriosos sustos e histórias arrebatadoras para a grande estreia de dia oito, da passada semana: A Mulher de Negro (The Woman In Black) representa a longo prazo os horrores de que fugimos ao ver qualquer outro filme de terror.

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