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Wii U: remar contra a maré

Liderar uma revolução não é fácil. Há sempre quem não compreenda os revolucionários, quem não acredite nos seus benefícios e quem goste de “tudo como está”. Foi isso que a Wii U se comprometeu desde o dia-um: liderar uma revolução nos videojogos implementando um segundo ecrã, a jogabilidade assimétrica e moldar a forma como lidamos com a nossa televisão. Mas as vendas não andam nada bem e nem todas as revoluções são bem sucedidas. Após um arranque fulminante, bastaram três meses para a mais recente consola da Nintendo perder o seu fulgor decaindo drasticamente em volume de vendas. A queda foi de tal forma abrupta que, no Japão, as vendas da PSVita ultrapassaram a Wii U. E a Vita não está propriamente de boa saúde.

Mais do que sistemas, uma consola vive de jogos. Juntamente com a jogabilidade, os jogos são o factor distintivo de outros produtos tecnológicos, como PCs, tablets e smartphones. É neste ponto que a Wii U demonstra algumas fraquezas. Após o cancelamento de títulos como Metro Last Light, Aliens: Colonial Marines e a passagem para multiplataforma do agora infame Rayman Legends, a Wii U sofreu um golpe. A ausência de títulos centrais no catálogo da EA como Dead Space 3, Crysis 3 e Battlefield 4, FIFA 14 e Madden 14 geraram um golpe duro na consola da Nintendo. As incertezas quanto à coqueluche da Rockstar vão-se mantendo, mas GTA V não deverá conhecer uma versão Wii U.

Por isso, resta aos jogos first party comandar a revolução.

Depende unicamente deles o sucesso da consola junto dos consumidores no curto prazo. O arranque na Wii U foi bom no que toca a jogos first e third party, mas o fabricante nipónico não pode esperar que sejam as produtoras terceiras a comandar a revolução. Porque hão-de fazê-lo? Parece estar tudo à espera de um sinal claro do potencial do novo controlador. A funcionalidade Wiimote da Wii era inteiramente percetível: bastava apontar para a TV. O Wii U Gamepad ainda não está inteiramente imbricado. Ter dois ecrãs é interessante como se viu em ZombiU, Batman Arkham City e Monster Hunter 3 Ultimate mas tirando Nintendo Land, New Super Mario Bros U e um conjunto de indies como Nano Assault Neo ainda não é inteiramente claro os benefícios da jogabilidade assimétrica. É mais divertida, mas nem sempre temos três ou quatro jogadores na mesma sala para potenciar este objectivo.

A E3 será essencial para a Nintendo. Não a conferência em si, mas o período de tempo em que ocorre. Sabemos que temos dois títulos de The Legend of Zelda a caminho, Mario Kart, um novo Mario, Super Smash Bros, Pikmin 3, um Yoshi e aquilo que parecem dois belos contributos da Platinum Games: The Wonderful 101 e Bayonetta 2. Mas a Wii U precisa de agradar à base de apoio que ganhou com a Wii com um novo Wii U Fit (entre outros do género), mas também recuperar um conjunto de jogadores que perdeu com a antecessora. Para isso precisa de apoio de um vasto conjunto de produtoras e editoras que para além da Capcom, Warner Bros, Platinum Games e Ubisoft (às vezes!) não parece ter.

Também os indies vieram dar um novo fulgor à consola: Little Inferno, Nano Assault Neo, Mighty Switch Force: Hyper Edition e Chasing Aurora são bons exemplos da nova direcção da Wii U. Mas a Nintendo precisa de novos IP quer para a sua base antiga de apoio, quer para os novos jogadores. Com a Wii testaram Pandora’s Tower, The Last Story e Xenoblade Chronicles todos com bastante sucesso, sobretudo no oriente. Os primeiros passos dados com LEGO City Undercover foram interessantes, mas não o tremor de terra que a consola necessita.

Como se viu com a 3DS é demasiado cedo para se ditar o fim de uma consola da Nintendo. Com a Wii U a empresa nipónica não cometeu o mesmo erro do arranque da 3DS em que simplesmente não havia novas entregas o que fez os consumidores questionar-se sobre o porquê de quererem a nova consola. O 3D não era de todo suficiente. Mas a Wii U tem efectivamente uma novidade, mas não fez chegar ao mercado novos títulos sólidos nos primeiros seis meses que a promovessem. Percebe-se também que os consumidores estivessem expectantes para ver a resposta da Sony e da Microsoft para posteriormente realizarem a sua escolha.

Nem todos os consumidores podem ter na sua sala de estar uma Wii U, PS4, Xbox One mais a Ps3 e Xbox360, dado que os novos produtos da Microsoft e Sony não são retrocompativeis, nem nos jogos em retalho nem nos digitais.

O tempo escasseia para a Wii U. A consola da Nintendo arrisca-se a viver somente dos títulos first party se não os fizer chegar às prateleiras rapidamente criando um incentivo junto dos consumidores para a sua aquisição, dando o impulso necessário às editoras third party para o lançamento de títulos a retalho e digitais. Por outro lado, demasiados títulos first party desincentivam as editoras a promover os seus próprios títulos, uma vez que entram em competição directa em volume de vendas com os first party. E a carteira dos consumidores não estica. Resta-me aguardar com expectativa o que a Nintendo, uma empresa habituada a “remar contra a maré”, nos reserva até ao final deste ano.

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