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O que é next-gen?

Certamente que muitos de nós já lemos a expressão ‘next-gen’. Entre a próxima geração de consolas para a esquerda e a próxima geração de jogos para a direita, tal suscitou-me uma questão: o que é um jogo next-gen?

Quando vemos uma análise de um jogo dois são os pontos que destacamos quase de imediato: um é visível, o grafismo; o outro não é tangível, a narrativa. Mas desde o início dos jogos que estes vão tendo algum tipo de narrativo e obviamente grafismo. Mas algo que todos os títulos possuem é a jogabilidade; a interactividade que liga o que estamos a ver (o design e grafismo) com aquilo que estamos a sentir e a pensar (a narrativa). Mas existem títulos que não primam pela narrativa ou esta é quase ausente. Da mesma forma que não exigem gráficos fantásticos. Confiram o surto de indies e de um conjunto interminável de títulos da presente geração que não possuem ou narrativa ou história. Simplesmente jogabilidade.

Não tenho dúvidas que a jogabilidade marca uma geração. Olhemos para o caso de Assassin’s Creed IV: Black Flag (Ubisoft). A franquia da Ubisoft marcou claramente a geração presente. Com a sua campanha a solo, ou com a sua vertente multijogador online, o desafio era concreto e objectivo conferida por uma jogabilidade fluida e inovadora. O que faz então Assassin’s Creed IV: Black Flag um jogo da próxima geração? Pelo que vimos até ao momento, aparentemente nada. A narrativa muda, os mapas também, os gráficos melhoram, mas nada o distinguiu até ao momento (estou a enfatizar o presente enquanto linha temporal dado a informação que a Ubisoft tem revelado) dos seus antecessores. A novidade da utilização de tablet serve apenas como GPS.

O que poderá então marcar a next-gen? Forza 5 eliminou a inteligência artificial para construir um ‘drivatar’, uma espécie de simulador que assenta na forma como os outros jogadores conduzem. Tal permite melhorar a interacção dos jogadores na campanha a solo com os restantes condutores. A Turn10 pretende assim mudar as regras do jogo e a forma como interagimos com objectos (ou personagens) inanimadas. O potencial desta ideia em FIFA, NBA2K, NHL, Street Fighter, Tekken, DoA entre tantos outros é imensa.

Mas Forza 5 não foi o único: Battlefield 4 (EA) e Tom Clancy’s The Division (Ubisoft) integraram a utilização de tablets na jogabilidade, ou seja, apropriaram-se de novas tecnologias (smartphones, tablets) e construíram com eles novas oportunidades para criar uma nova forma de imersão do jogador. O efeito que isto terá sobre as consolas portáteis em termos da sua utilização pode ser devastador, mas não acredito que o seja, dado que as consolas portáteis construíram um outro paradigma de jogabilidade.

The Crew (Ubisoft) criou uma ligação directa entre a campanha a solo e a componente multijogador. Deixa de ser necessário assim dois modos de jogos passando a haver uma integração constante. Need for Speed também tentou esta aproximação mas vimos na E3 paragens no fluxo de jogo, o que não ocorreu com The Crew. Constatou-se que em Watch Dogs cada jogador fará parte do mundo de outros, podendo hackear uma série de produtos para seu próprio benefício. A fluidez das mecânicas de jogo permitem integrar o multijogador nas campanhas a solo. Levaram mais longe o que Dark Souls e Journey construíram.

O free to play (F2P) não é invenção da ‘next gen’, mas é nela que este paradigma parece consolidar-se. Nos últimos dois anos registou-se um surto de F2P nos PC. E nada mais. Milhões de jogadores ficaram de fora. Com a PS4 a mostrar, por enquanto, uma maior aposta do que a XboxOne nada pode ser mais recompensador para um jogador que simplesmente sentar-se e experimentar um título integralmente e integrar o mundo por ele criado. Sem obrigações. Warthunder (Gaijin Entertainment), Warframe (Digital Extremes) Killer Instint (Double Helix Games) são apenas algumas das promessas.

A forma como interagirmos com o jogo também muda, fruto do seu hardware. A Wii U criou um controlador propositadamente para o objectivo, mas sem se ter verificado, até ao momento, uma verdadeira aplicação genial – aguardamos por Pikmin 3 (Nintendo). O controlador da PS4 permite comunicar e fazer uso de um conjunto de redes sociais sem quebrar a fluidez do jogo. O Kinect para a XboxOne permite novas funcionalidades possibilitadas nas campanhas a solo ou na vertente multijogador para além da forma como interage com a TV.

Não ignoro que as características técnicas marcam um jogo: um blu-ray com capacidade de 25 ou 50GB torna possível a expansão de um mundo: Witcher 3 (CD Projekt RED) terá um universo trinta e cinco vezes maior que Witcher 2 (que já por si não era pequeno). Tal muda a forma como imergimos no jogo e o tempo que passamos nele. Expande a narrativa criando acções cinematográficas que conferem fluidez: Heavy Rain (Quantic Dream), Uncharted 2 e 3 e The Last of Us (ambos da Naughty Dogs) demonstraram isso. Obviamente comporta melhoramentos gráficos. Mas se a jogabilidade não mudar, pouco disto é realmente next-gen. E da jogabilidade depende a integração de periféricos: de Kinect e segundo ecrã já referimos. Mas onde começam e acabam as possibilidades de Oculus Rift? Quais serão os factores que criarão a next-gen?

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